Plano de carreira: como funciona e como implementar em sua empresa

“Como você imagina a sua vida daqui a cinco anos?”. Em um processo seletivo, é comum que o recrutador faça essa pergunta ao candidato e a existência de um plano de carreira, por parte do profissional e da empresa contratante, pode ser decisiva para a resposta.

Sob a ótica do profissional, ter um plano de carreira é saber onde se pretende chegar em dois, cinco ou dez anos. Já sob a ótica do empregador, ter esse tipo de planejamento é criar condições para que a perspectiva de um futuro cada vez melhor atraia e ajude a reter talentos.

Tudo isso nos ajuda a entender que o planejamento é importante tanto para empresas quanto para funcionários. E, com este post, você vai compreender ainda melhor essa situação. Confira!

O que é e qual a importância do plano de carreira

O plano de carreira é um instrumento para a organização de metas e caminhos que projetam a evolução de um profissional em uma empresa ou em sua carreira.

Sendo assim, existem duas formas de enxergar esse planejamento: 1) partindo da ótica do empregador que desenha um caminho de evolução de cargos do funcionário dentro da empresa e; 2) partindo da ótica do profissional que pode tanto ter um plano de carreira pessoal independente quanto vinculado ao planejamento da empresa.

A importância do plano para o empregador

Para a empresa, ter um planejamento para seus funcionários é importante porque contribui para diminuir o turnover voluntário, ou seja, as situações em que o funcionário pede demissão da empresa.

Um índice elevado de turnover representa tanto perda financeira para a empresa quando desgaste de sua imagem. Isso porque, todo processo de demissão e contratação de um novo profissional para ocupar uma vaga em aberto é oneroso, inclusive porque o tempo que a empresa demora para achar um substituto pode afetar sua produtividade usual e impactar os negócios.

Além disso, se muitos profissionais pedem para se desligar da empresa, a impressão de que há algo errado no local gera desconfiança e afasta novos talentos.

Ainda, quando a empresa elabora e implementa um plano de carreira, mostra para seus funcionários que existe uma preocupação em fazê-los crescer ali. Entre outras coisas, isso implica na responsabilidade da empresa em oferecer treinamentos, garantir a presença de bons líderes e adotar medidas pela capacitação e aprimoramento dos profissionais.

Fatores que geram interesse nos profissionais e motiva-os tanto a ficar quanto a fazer seu melhor diariamente para alcançar suas metas e conquistar promoções para cargos hierarquicamente superiores. Algo que, consequentemente, leva a empresa a cumprir seus próprios objetivos e ter produtos ou serviços de qualidade.

Isso porque, uma vez inserido na empresa e tendo conhecimento de seu plano de carreiras, um profissional desenvolve-se de forma cada vez mais alinhada à cultura local. Assim, com o passar do tempo, a organização passa a ter lideranças que sejam altamente identificadas com seus valores, processos e metas.

A importância do plano para o trabalhador

É bem verdade que foi-se o tempo em que o sonho comum dos trabalhadores inseridos no mercado de trabalho era ter uma longa carreira dentro de uma mesma empresa.

Em geral, ainda existem profissionais que ambicionam ocupar cargos de liderança e, para esses, a existência de um plano de carreira na empresa tende a ser ainda mais determinante para a sua permanência.

Quem pretende ser líder dentro de uma organização também precisa ter um planejamento próprio com as metas que deseja alcançar a cada prazo. Isso porque, não é prudente deixar somente nas mãos do empregador a tarefa de arquitetar cada passo da jornada rumo à conquista dos objetivos pessoais.

Quando as metas de ambas as partes são claras e bem definidas, pode ser possível até mesmo alinhar o plano de carreira do profissional ao da empresa e criar uma situação ainda mais interessante e benéfica.

É este alinhamento, ou até mesmo somente a existência do plano de carreira da empresa, que ajuda as partes a entender quais oportunidades existem e como elas podem ser aproveitadas para benefício do empregador e do funcionário.

Mas, e quando o funcionário não sonha em ser um líder? Uma matéria publicada na revista Exame explica que “para muitos profissionais, as experiências vividas têm um papel mais central do que o peso do cargo que ocupam ou o dinheiro que recebem”. Isso porém, não faz com que o plano de carreira perca sua importância.

Para esses profissionais, o planejamento tem a mesma serventia que para os demais: orientar as melhores decisões para a conquista dos objetivos pessoais. Ainda, a existência desse plano de carreira contribui para que a empresa possa entender melhor como aproveitar o talento desse profissional e como traçar metas junto a ele para mantê-lo e motivá-lo.

Os diferentes tipos de plano de carreira

Criar um plano de carreira consiste em fazer uma análise da situação atual e dos objetivos que se espera alcançar. A partir daí, deve-se elencar quais as ações a serem tomadas para que esses objetivos sejam alcançados, definindo prazos adequados. Por fim, é colocar em prática e acompanhar a evolução do planejamento para ajustá-lo conforme necessário.

Plano de carreira em Y

O plano de carreira em Y costuma se adequar melhor à empresas que seguem uma estrutura mais formal e que tem seus cargos e funções muito bem definidos. A letra “Y” faz referência a uma bifurcação que aparece no caminho do profissional em ascensão, dando-lhe a oportunidade de escolher entre seguir como especialista da área técnica de um setor da empresa ou como gestor.

Para muitos empregadores, é fácil entender o papel do gestor no acompanhamento e orientação de seus subordinados, visando garantir a conquista dos objetivos traçados pela empresa. Por isso, é também fácil entender porque valorizar essa opção e abrir espaço para ela.

É interessante destacar, porém, que é o especialista — por sua bagagem teórica e prática — quem tem melhores condições de apresentar soluções inovadoras para a empresa. Sendo assim, seu papel também tem relevância e pode fazer a diferença para que a organização desenvolva um diferencial que a coloque em posição de destaque no mercado.

Ter bom entendimento dessas duas possibilidades do plano de carreira em Y ajuda a empresa a melhor analisar seus talentos para projetar sua escalada hierárquica. Nesse processo, entender o perfil e saber qual é o planejamento ou as metas pessoais de cada funcionário contribui para que o profissional mais preparado assuma o posto, quer seja o de especialista ou o de gestor.

Plano de carreira em W

Em comparação, o plano de carreira em W oferece uma terceira via que nada mais é do que uma junção dos cargos apresentados pelo planejamento em Y. Falamos, portanto, da possibilidade de o funcionário assumir o papel de gestor de projetos.

Esse tipo de planejamento é menos comum porque funciona em casos mais específicos, como o do setor de tecnologia. O que acontece é que o profissional não passa a ser uma liderança comum, orientando o desenvolvimento de seus subordinados, mas sim um líder técnico.

Esse líder técnico tem como função orientar de forma pontual o desempenho dos funcionários na execução de determinado projeto. Nessa situação, o profissional da gestão de projetos não precisa deixar de “colocar a mão na massa” e passa, paralelo a isso, a acumular a função de comandar equipes temporariamente.

O plano de carreira em W é interessante, entre outras circunstâncias, quando a empresa entende que tem um talento que conhece muito bem seus processos, mas que não tem o perfil de um líder tradicional. Em outras palavras, quando tem em seus quadros um profissional multitarefa e que, caso tivesse apenas as duas opções do planejamento em Y, ficaria frustrado com suas novas atribuições.

Plano de carreira em rede

Outro tipo de plano de carreira, que pode ser considerado uma variação do planejamento em Y, é o em rede. Neste caso, ao invés de vislumbrar apenas duas opções, o funcionário tem uma gama maior de opções de cargos a exercer dentro da empresa.

A ideia é que o profissional evolua passando de um cargo ao outro considerando suas próprias habilidades e interesses. Para que esse plano seja colocado em prática, porém, a definição de metas que determinam se o profissional está apto para avançar ou não em sua trajetória é essencial.

A existência de caminhos múltiplos para que um funcionário siga dentro da empresa permite, inclusive, que ele mude de um cargo técnico para um de gestão e vice-versa. Algo que lhe dá melhores oportunidades de conquistar suas metas pessoais e de descobrir a qual função se adapta melhor.

Esse tipo de plano de carreira pode ser especialmente interessante para o referido caso de trabalhadores que não almejam cargos de liderança, mas sim vivenciar experiências relevantes em sua jornada profissional. Uma alternativa, portanto, para quem precisa considerar o perfil de seus funcionários diante das transformações vividas pelo mercado de trabalho nos últimos anos.

Como montar um plano de carreira

Conhecer a estrutura organizacional da empresa é fundamental para decidir qual tipo de plano de carreira é o mais adequado. Assim, antes de falarmos do planejamento em si, é preciso desenhar essa estrutura para ter clareza de como a empresa se divide hierarquicamente já que essa é a base do planejamento.

Para tanto, é preciso elencar quais são os cargos existentes e até mesmo quais aqueles a empresa considera necessário criar para viabilizar tanto o plano de carreira quanto a conquista de metas. Algo que pode ser feito com base no organograma empresarial que nada mais é do que a representação gráfica dos níveis hierárquicos e de suas ligações dentro da empresa.

Uma vez que a estrutura organizacional for devidamente conhecida, torna-se mais fácil seguir as seguintes etapas para a criação e implementação do plano de carreira:

Busque a opinião dos funcionários

Como visto, é interessante a um profissional ter seu próprio planejamento de carreira. Mesmo que os funcionários de uma empresa não tenham definido metas para as suas trajetórias, ouvi-los é parte importante do processo de criação do plano de carreira da empresa.

Isso porque eles vivenciam a realidade que os ajudam a compreender como uma experiência profissional duradoura pode ser construída dentro da empresa. Além disso, conhecer a ambição de cada um deles contribui para descobrir como considerar o perfil deles para o planejamento.

A conversa também favorece a compreensão das habilidades de cada funcionário e entender quais papéis eles podem assumir à medida que se capacitem e conquistem resultados no dia a dia de trabalho.

Essa análise faz a diferença para que a empresa desenvolva um plano de carreira que seja condizente com sua realidade e não uma mera escolha baseada no tipo de planejamento que parece melhor, mas não funciona.

Defina os caminhos para a progressão

Um estagiário pode se tornar assistente, depois analista e depois gerente. Esse é um exemplo simples de progressão na carreira que deve ser pensado e adaptado de acordo com as características da empresa e suas necessidades.

Para o planejamento, a empresa precisa desenhar os caminhos possíveis para a ascensão de um profissional. Além disso, deve definir quais critérios devem ser preenchidos ou quais metas devem ser alcançadas para que uma promoção aconteça e qual o prazo para que a possibilidade de mudança de cargo se concretize.

É fundamental que a definição de caminhos, cargos e prazos esteja adequada à realidade da empresa e de seus funcionários e ainda, que seja flexível para acolher eventuais mudanças.

Estimule o aperfeiçoamento e invista em treinamentos

Todo funcionário possui pontos fracos e pontos fortes. Diferente do que possa parecer em um primeiro momento, buscar condições de ocupar um nível hierárquico mais elevado não é responsabilidade apenas do profissional. Em outras palavras, o funcionário não é o único que precisa correr atrás de seu desenvolvimento para conseguir progredir na carreira.

Como visto, o planejamento é importante para a empresa porque, entre outras questões, permite que ela conte com profissionais que se desenvolveram com base em sua cultura, perfil e objetivos. Isso só acontece, porém, quando o empregador cria oportunidades de lapidar seus talentos para que eles sejam ao máximo capazes de conduzir a empresa ao sucesso.

Por essa razão, é importante que as lideranças já atuantes sejam capazes de identificar pontos fortes para aproveitá-los e identificar pontos fracos para transformá-los em resultados. Ainda, é interessante investir em treinamentos e cursos de capacitação e aperfeiçoamento para que o profissional se sinta cada vez mais preparado em buscar cargos de maior responsabilidade e seguir nos quadros da empresa.

Tenha metas claras e processos claros

Quando falamos sobre a definição dos caminhos para a progressão na carreira, mencionamos que o profissional precisa conhecer critérios e metas a serem alcançados para mudar de cargo.

Essas metas para os profissionais precisam ser alinhadas às metas que a empresa tem para si própria. E tudo isso deve se basear em uma análise realista para que não se apresente um plano que cause aos funcionários a impressão de que não é realmente possível crescer profissionalmente naquela organização.

Além de metas definidas, a empresa deve assegurar que os funcionários compreendam o planejamento e saibam o que precisam fazer para conquistar seus objetivos e quais os critérios estabelecidos. Qualquer falha nessa compreensão pode causar frustração, afetar a motivação, prejudicar o clima organizacional e a organização como um todo.

Aposte no feedback e na reavaliação

A clareza quanto aos processos a serem seguidos para a progressão profissional se traduzem em uma comunicação assertiva entre as lideranças da empresa e os demais funcionários.

O feedback, sobretudo quando baseado em um bom processo de avaliação, é um importante instrumento que ajuda o trabalhador a entender em quais pontos está se saindo bem e o que ainda precisa melhorar para alcançar a meta, atender aos critérios e merecer a promoção. Além do mais, serve como forma de lembrar cada funcionário das perspectivas que existem para a sua carreira e como oportunidades para mantê-los motivados.

Nessa comunicação, receber feedbacks também é importante para o sucesso do plano de carreira. Ouvir os funcionários não é algo que a empresa deve fazer apenas para traçar o planejamento, mas também para reavaliá-lo e promover eventuais modificações que se façam necessárias.

Isso porque, na prática, o cenário pode ser diferente do teorizado e ainda, fatores internos e externos podem mudar a dinâmica e os também os objetivos da empresa.

Sobre a implementação

As etapas apresentadas acima já englobam a implementação do plano de carreira. Para que não haja dúvidas, porém, é importante pontuar algumas questões:

  • a empresa deve documentar o seu planejamento, tornado-o oficial;
  • comunicar a existência e o funcionamento do plano de carreira às lideranças e aos funcionários é crucial para que este tenha os efeitos desejados de motivação pela busca de resultados e de redução do turnover voluntário;
  • o plano não é imutável e sempre que alterações na estrutura da empresa ocorrerem, é importante reavaliá-lo e, se preciso for, reestruturá-lo;
  • um planejamento de carreira pode ser implementado em qualquer etapa da vida de uma empresa, desde que feitas as avaliações necessárias. Para que, a médio e longo prazo os resultados sejam mais interessantes, o setor de RH deve se encarregar de avaliar o perfil dos candidatos considerando seu plano pessoal em vista do plano de carreira da empresa.

O planejamento em empresas jovens ou em franco crescimento

Um plano de carreira ― seja ele o em Y, o em W, o em rede ou outro tipo ―, é mais fácil de ser desenvolvido e implementado quando a empresa já passou da fase de alto crescimento ou tem sua hierarquia consolidada.

Da mesma forma que recrutadores do setor de Recursos Humanos perguntam a profissionais “como você se imagina daqui a cinco anos?”, uma empresa deve ser capaz de buscar essa resposta para desenvolver seu planejamento. Acontece, porém, que empreendimentos recentes ou vivendo períodos de expansão convivem muito com a incerteza, o que torna difícil pensar a médio ou longo prazo.

A dificuldade, entretanto, não impede que um esboço de um plano de carreira seja traçado. Para tanto, ao invés de apresentar oportunidades concretas de onde cada profissional pode chegar em sua trajetória na empresa, a ideia é considerar as possibilidades.

Tanto para fazer esse esboço do planejamento quanto para apresentá-lo a quem se candidata à vagas ou já trabalha na empresa, é importante esclarecer que, à medida que o empreendimento crescer, novas perspectivas vão se formar. Assim, uma reavaliação esporádica da situação é interessante para alcançar o máximo de clareza sobre o futuro e manter todos informados e motivados.

Ainda que cargos não tenham sido desenhados com clareza, uma vez que a empresa se preocupa em estabelecer processos, ela ajuda seus funcionários a entender qual futuro cada um pode ter ali dentro.

Além disso, é preciso considerar o que acontece quando a empresa busca formas de preparar os funcionários para acompanhar sua evolução e desenvolvimento. Passa-se o recado de que, ainda que o futuro não esteja definido, o investimento feito é sinal de que o empregador está construindo algo que inclui cada funcionário e que considera a sua crescente adequação ao perfil e objetivos da empresa.

Com tudo isso, podemos dizer que ter um plano de carreira traz uma série de benefícios que podem levar uma empresa ao sucesso. Porém, não ser capaz de implementá-lo em um dado momento não decreta o fracasso, sobretudo se a ideia da criação de um esboço estiver presente e abrir caminho para algo mais concreto no futuro.Além de criar um plano de carreiras, conheça dicas do RH do Tangerino sobre como motivar seus funcionários!