Como Organizar a Volta ao Trabalho Presencial?

A organização da volta ao trabalho presencial será um verdadeiro desafio para as empresas e colaboradores que preferem o modelo híbrido. Entenda o que diz a legislação e como se preparar.

Tempo de Leitura: 12 minutos

Última atualização em 26 de outubro de 2021

A sua empresa está começando a se preparar para a volta ao trabalho presencial?

Mesmo com o avanço da vacinação no Brasil, esta é uma situação bastante delicada. Afinal de contas, nem todos os colaboradores estão se sentindo seguros para voltar ao escritório nesse momento.

Os impactos dessa sensação de insegurança podem ir muito além de um mal-estar momentâneo. Elas podem afetar a produtividade e até mesmo o turnover da empresa.

Sendo assim, antes de tomar qualquer decisão, é importante avaliar bem esse momento e envolver os colaboradores nessa decisão.

Neste texto, exploraremos um pouco sobre como organizar a volta ao trabalho neste “novo normal” considerando o bem-estar dos colaboradores e os objetivos da empresa.

Vamos lá?

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A empresa pode determinar a volta do trabalho presencial?

trabalho presencial

O primeiro ponto a deixar claro para as equipes de RH e colaboradores é que as empresas podem, sim, convocar os seus funcionários para a volta ao trabalho presencial.

Contudo, é importante estar atento que a Medida Provisória nº 1.046 de 27 de abril de 2021 que dispõe sobre as medidas trabalhistas para enfrentamento da pandemia da Covid-19, continua em vigor.

Isso implica que as empresas ainda podem realizar mudanças no regime de trabalho sem a anuência do colaborador desde que o notifique com antecedência mínima de 48 horas.

O que acontece se o colaborador se recusar a voltar ao trabalho presencial?

Em um cenário em que ainda temos um número de mortos elevados, nem toda a população foi vacinada e há sempre o temor de novas variantes, não são todos os colaboradores que se sentem seguros para voltar ao trabalho.

E é justamente essa insegurança que pode acarretar atrito entre empresa e trabalhador. Contudo, o empregado é obrigado a voltar ao trabalho sob o risco de ser demitido por justa causa, já que as faltas podem configurar abandono de trabalho.

Assim, é importante que a empresa se atente não só às boas práticas de segurança do trabalho presencial, mas também em sua comunicação, evitando possíveis atritos que podem afetar negativamente o clima organizacional.

É preciso lembrar de colaboradores com comorbidades ou acima de 60 anos. É interessante que a empresa priorize o teletrabalho ou mantenha um local de trabalho arejado e higienizado ao final de cada turno de trabalho para eles.

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Como os colaboradores estão se sentindo com a volta do trabalho presencial?

A resposta para essa pergunta vem com dados de pesquisas. Essas são algumas delas.

Nos Estados Unidos, uma pesquisa feita pela Korn Ferry revela que 70% dos profissionais pensam que o novo normal é o trabalho remoto e que a volta ao escritório seria “difícil” e “estranho”.

Já a Fundação Dom Cabral revela que apenas 13% dos líderes apontam patamares inferiores de produtividade.

Ou seja, o modelo remoto também trouxe benefícios para as empresas, sem contar com a economia com energia, internet e vale-transporte das companhias. 

No Brasil, a Vulpi divulgou uma pesquisa revelando que 86,58% dos colaboradores preferem a forma remota, enquanto o restante se dividia entre o modelo híbrido (6,88%) e presencial (6,54%).

Todos esses números mostram uma tendência dos colaboradores a preferirem um modelo remoto ou mesmo híbrido.

Ou seja, a tendência é realmente uma inovação e modernização da forma como trabalhamos.

Mas ainda existe outro lado dessa moeda. 70% da força de trabalho jovem (entre 16 e 24 anos) acredita que a falta de contato com colegas mais experientes pode dificultar o seu crescimento profissional.

Esse dado é mostrado por um estudo realizado pelo LinkedIn e permitiu colocar uma nova luz sobre esse assunto, já que a grande preocupação dessa parcela dos profissionais se sentem prejudicados no desenvolvimento das chamadas soft skills.

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Escute os seus colaboradores antes de impor uma decisão

Todos esses números servem para elucidar que não existe um perfil que corresponda aos colaboradores de todo o Brasil. Assim, é fundamental considerar o que os funcionários da sua empresa desejam para que a transição seja tranquila.

Dessa forma, é importante que a equipe de RH realize pesquisas entre os colaboradores. O objetivo é elucidar como eles se sentem com a possibilidade da volta ao trabalho presencial e ouvir possíveis sugestões.

É claro que existem algumas outras questões a serem consideradas, por exemplo, quais funções precisam ser desempenhadas remotamente e a produtividade do time no modelo remoto.

Quais as responsabilidades do empregador na volta ao trabalho presencial?

A lei diz que as empresas são as responsáveis pela prevenção dos riscos da Covid-19, incluindo também contaminações que possam ter acontecido no local de trabalho e em seu trajeto.

Assim, as empresas estão sujeitas a processos por danos morais e materiais.

Contudo, cabe ao trabalhador reunir provas que demonstrem que isso ocorreu em decorrência do trabalho presencial e que se trata realmente de doença de trabalho.

Portanto, é extremamente importante que as empresas atendam a todos os protocolos sanitários dispostos na Portaria Conjunta nº 20 de 18 de junho de 2020.

Falaremos mais à frente sobre as medidas a serem adotadas.

Ademais, também vale reforçar que, mesmo vacinados, pessoas com mais de 60 anos ou com comorbidades ainda podem sofrer com complicações em decorrência do vírus. 

Então, é recomendável que esses colaboradores tenham suas jornadas mantidas no teletrabalho.

Para trabalhadores que não se encaixam nas normas da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como é o caso dos microempreendedores individuais e autônomos, a volta ao trabalho deve ser acordada entre as partes.

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Quais as medidas de segurança que as empresas devem adotar no trabalho presencial?

O retorno ao trabalho presencial é cercado de cuidados e muitos deles são de responsabilidade da empresa.

Ela  deve deixar as regras de convivência e de higiene que devem ser adotadas de modo claro a todos. 

Os empregadores devem ater-se às orientações contidas na Portaria Conjunta 20/20 referenciada acima para o controle e mitigação dos riscos de transmissão da Covid-19 em ambientes de trabalho.

Divulgar orientações e protocolos

É de responsabilidade da organização educar seus colaboradores a respeito de todos os protocolos de prevenção adotados na empresa, incluindo os trabalhadores terceirizados e de outras organizações que adentrem o estabelecimento.

Essas orientações devem incluir, segundo a Portaria:

Contratação de Colaboradores na Quarentena

a) medidas de prevenção nos ambientes de trabalho, nas áreas comuns da organização, a exemplo de refeitórios, banheiros, vestiários, áreas de descanso e no transporte de trabalhadores, quando fornecido pela organização;

b) ações para identificação precoce e afastamento dos trabalhadores com sinais e sintomas compatíveis com a Covid-19;

c) procedimentos para que os trabalhadores possam reportar à organização, inclusive de forma remota, sinais ou sintomas compatíveis com a Covid-19, ou contato com caso confirmado da Covid-19; e

d) instruções sobre higiene das mãos e etiqueta respiratória.

Além disso, é importante realizar a promoção da vacinação e também sobre as formas de contágio, sinais e sintomas da doença.

Disponibilizar equipamento de proteção

As máscaras são os itens mais lembrados na hora da prevenção e a importância do uso desse equipamento de proteção já teve sua eficiência mais que comprovada, sendo a última barreira entre o indivíduo e o vírus.

Em um cenário ideal, a empresa deveria fornecer as máscaras no ambiente de trabalho, contudo, caso isso não seja possível, os colaboradores devem trazer suas de casa.

O ponto é que o uso de máscaras ainda é obrigatório em muitos municípios e nenhum colaborador deve ser exceção a essa regra. 

Lembre-se que a empresa é responsável por reforçar as medidas de segurança e quem se recusar a seguir pode ser advertido.

Mesmo que a principal via de contaminação seja as vias aéreas, outro ponto importantíssimo é o álcool em gel 70%.

Espalhe diversos dispensadores por todo o escritório, assim os colaboradores podem higienizar suas mãos ao longo do dia.

Adaptar o ambiente físico

A adaptação do ambiente físico é de extrema importância para que os colaboradores fiquem separados por uma distância segura.

As mesas e cadeiras devem ficar separadas por uma distância mínima de 1 a 1,5 metro ou por divisores de acrílico. Isso também vale para áreas de convívio, onde as pessoas relaxam e fazem suas refeições.

O ar-condicionado é um item que não é recomendado ser usado no momento. O ideal é que portas e janelas estejam abertas o tempo todo, permitindo a circulação do ar, diminuindo o acúmulo do vírus e a transmissão pelo ambiente.

Também é necessário reforçar o uso de itens descartáveis. É importante diminuir o compartilhamento de objetos ao máximo, como talheres e copos. Por mais que isso pareça excessivo, todo o cuidado é pouco.

Ademais, se houver recepção de público, é importante deixar demarcado no chão o local onde cada um deve ficar. Por exemplo, a distância entre pessoas na fila ou no balcão de atendimento.

Incentivar novas condutas de convívio social

Infelizmente, mesmo após tanto tempo afastados, esse reencontro não é um motivo de festa. É necessário adotar novas condutas e guardar os beijos e abraços para outro momento.

O ideal é evitar ao máximo o contato físico e o “cumprimento de cotovelo” ainda é a melhor forma de lidar com essa situação.

Quanto às reuniões de equipe, a depender da quantidade de pessoas, o melhor é que ela seja realizada em ambientes com ampla circulação de ar ou por videoconferência. 

Quanto menos aglomeração, melhor.

Flexibilizar horário

Sabemos que as condições de transporte público nas cidades não são as ideais. E algo que pode ajudar muito no sentido de evitar aglomeração em ônibus e metrôs são horários flexíveis e alternados.

Isso também contribui para que os colaboradores se sintam mais seguros ao ir para a empresa.

Por que o modelo híbrido é o mais indicado no pós-pandemia?

Durante essa pandemia, diversas empresas provaram que trabalhar remotamente não é sinônimo de perda de produtividade.

Os diversos empreendimentos cogitam manter o trabalho remoto mesmo após deixarmos essa situação para trás.

Não somente, as pesquisas que você leu ainda há pouco mostram que os colaboradores preferem a liberdade de trabalhar direto de suas casas, facilitando suas rotinas e ganhando tempo que seria perdido no trânsito.

Contudo, essa não é a realidade de todos. Pessoas com filhos ou moram com muitas pessoas reclamam da dificuldade de se concentrar no trabalho.

Assim, o modelo híbrido se apresenta como um excelente meio-termo para colaboradores e empresas.

Mas claro que isso não viria sem seus próprios desafios, veja abaixo.

Saúde mental dos colaboradores

Quando se trabalha em casa, a linha que divide a vida profissional e a pessoal fica turva e a síndrome de burnout ganhou mais relevância nesse período.

Com mais horas de trabalho, a empresa deve tomar para si um papel moderador em estabelecer e fazer cumprir a jornada de trabalho ideal.

Além disso, é importante estabelecer um limite para as exaustivas reuniões e até mesmo para responder mensagens, incentivando que os colaboradores tirem um tempo para si.

A gestão da equipe em modelo híbrido

Esse é outro grande desafio que líderes e executivos enfrentam desde 2020. 

A gestão do time deve associar o desenvolvimento constante e produtividade da equipe com a inteligência emocional.

Este último talvez seja o ponto mais desafiador durante essa gestão, principalmente porque os colaboradores sentem-se isolados e os líderes precisam agir como a “cola” do time, integrando-os, demonstrando e reinventando juntos a cultura da empresa.

É importante realizar sessões de feedback e garantir que os colaboradores estão se sentindo vistos e que a sua contribuição para a empresa é importante.

O controle de ponto de forma segura

O controle de ponto é totalmente voltado para o RH que precisa realizar a gestão de horas extras, fechar folha de ponto e planejar ações de integração durante o trabalho híbrido.

Certamente esses são desafios gigantes, mas que podem ser minimizados com a ajuda das ferramentas corretas. 

E é aqui que entra o Tangerino, uma plataforma de controle da jornada de trabalho que permite total personalização para se adequar às necessidades da sua empresa e ainda tem integração nativa com os principais softwares do mercado.

Com nossa ferramenta, os seus colaboradores podem bater o ponto onde quer que estejam direto de seus smartphones. 

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