Doenças ocupacionais: o que são e como evitá-las

Doenças ocupacionais são enfermidades que surgem a partir da realização direta ou indireta das atividades. São divididas entre doenças do trabalho e doenças profissionais. A LER é uma das principais.

Tempo de Leitura: 9 minutos

Última atualização em 12 de julho de 2021

A sua empresa está atenta à saúde dos trabalhadores, como está para avaliar a produtividade e o desenvolvimento deles? Como ela lida com isso? Se essa é uma questão que passa despercebida pelo RH, saiba que muitas doenças ocupacionais podem ser evitadas se isso for observado com atenção pela companhia.

O mercado de trabalho vem falando bastante sobre o bem-estar dos trabalhadores e a saúde deles é o primeiro fator relacionado à felicidade no mundo corporativo. Afinal, se algo não vai bem, como ter um desempenho de alto nível? Por isso, vamos falar sobre como o RH pode agir na identificação e prevenção desse tipo de problema. Acompanhe!

O que são as doenças ocupacionais e como elas surgem

o que são e como evitá-las

As doenças ocupacionais são aquelas que foram adquiridas ou provocadas, direta ou indiretamente, pelo exercício da atividade profissional. Ou seja, elas surgem por meio das ações que o trabalhador desempenha todos os dias ou podem ser causadas de forma indireta pelas condições que uma pessoa executa o seu trabalho.

Pelo fato de serem desencadeadas de maneira direta ou indireta, essas enfermidades são classificadas em dois tipos, veja a seguir.

Doenças do trabalho – Mesopatias

Podem parecer sinônimos, mas as doenças do trabalho e as profissionais têm características diferentes. As primeiras, são enfermidades que surgem ou se agravam tendo o trabalho como causa indireta.

Isso quer dizer que a atividade que a pessoa desenvolve pode agravar uma predisposição que ela já tinha a determinada doença ou é capaz de intensificar os sintomas. Alguns exemplos de doenças do trabalho são asma, varizes, alergias e doenças psicológicas.

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Doenças profissionais – Tecnopatias

Já as doenças profissionais têm relação direta com a profissão exercida e, se não desempenhasse aquela atividade, o profissional não teria a enfermidade. Exemplos são intoxicações por agentes químicos (e suas complicações), e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT). Vamos falar mais sobre elas mais à frente. 

O impacto das enfermidades ocupacionais nas empresas

Um dos grandes problemas enfrentados pelas organizações atualmente é o alto índice de faltas de seus colaboradores, o qual chamamos de absenteísmo. Essas ausências podem ser causadas tanto por problemas ligados à insatisfação no trabalho, quanto por questões pessoais e relacionadas à saúde do colaborador.

Como você já deve estar ciente, o absenteísmo prejudica a produtividade e, consequentemente, o faturamento da empresa, afinal, se há menos pessoas trabalhando, há menos atividade interna. Além disso, com a falta de alguns, há sobrecarga de outros profissionais e desequilíbrio do clima organizacional.

Trabalhadores que se sentem pressionados a entregar a sua produtividade e a dar conta da dos outros alimentam algumas cadeias negativas para a empresa: a do estresse corporativo que resulta na síndrome do burnout e a do absenteísmo, já que o emocional impacta na sua saúde e ele acaba adoecendo e faltando também.  

Outro ponto negativo de quando uma empresa tem altos índices de falta por doenças ocupacionais é na imagem que a companhia transmite aos clientes. Já pensou como um cliente se sente quando liga para a empresa a procura de um colaborador e ele quase nunca está lá por estar de atestado médico?

Além da insegurança de ter suas atividades prejudicadas, o cliente pode se questionar sobre o motivo de os trabalhadores se ausentarem tanto. Será que a empresa valoriza seus profissionais? Por que faltam com frequência? São questões que, certamente, são analisadas quando se percebe esse tipo de situação.

Como a empresa pode evitar doenças ocupacionais

De maneira geral, o investimento no bem-estar dos colaboradores é o primeiro passo para evitar que as doenças ocupacionais se tornem um problema frequente na companhia. A partir desse entendimento é que será possível pensar em ações diretamente voltadas para a qualidade de vida deles.

Investimento, no caso, se refere tanto às questões ligadas à saúde física quanto à saúde mental, pois, como você verá adiante, as enfermidades ocupacionais surgem de vários tipos nos trabalhadores. 

O papel do RH

Por ser um setor estratégico e que atua com a gestão de pessoas, o RH deve estar atento aos menores sinais de que algo não vai bem com a saúde dos trabalhadores. Para isso, devem orientar para que líderes observem a regularidade de cada profissional, como estão as jornadas de trabalho e se estão com sobrecarga.

Ações de prevenção ao assédio e à pressão psicológica também são medidas que devem fazer parte da rotina do setor de Recursos Humanos. Não se pode negligenciar ações de promoção da saúde e do bem-estar dos trabalhadores, assim como o auxílio médico e psicológico empresarial sempre que necessário.

Muitas profissões têm legislação específica para serem realizadas em segurança e isso deve ser respeitado. Além disso, promover a cultura do diálogo aberto é outro ponto essencial para que os colaboradores se sintam à vontade para procurarem o setor para ajudá-los na resolução de conflitos pessoais e profissionais. 

As principais doenças ocupacionais

Existem inúmeros tipos de doenças ocupacionais e elas se apresentam tanto psicologicamente quanto fisicamente e surgem em diversas partes do corpo, como mãos, pernas, pulmão, olhos, entre outras. Confira, a seguir, as doenças laborais mais comuns. 

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Doenças psicossociais

Começamos pelas doenças que têm acometido cada vez mais pessoas no mundo todo, principalmente pelo momento de crise que vivemos, como a depressão, síndrome do pânico, os ataques de ansiedade e estresse. Elas são silenciosas e podem ser difíceis para as pessoas ao redor perceberem.

Para o próprio trabalhador, inclusive, o diagnóstico pode demorar a ser feito, pois é comum confundir com uma fase passageira de tristeza. Porém, essas enfermidades são muitos mais sérias do que um período de desânimo; elas podem levar até à morte do profissional. 

Situações como a alta demanda de trabalho, muita pressão psicológica, o assédio sofrido internamente, as agressões verbais e o medo de perder o trabalho provocam um esgotamento mental que prejudica a saúde do trabalhador e leva ao afastamento.

A depressão, uma das mais graves doenças psicossociais, já foi até vista como o mal do século — apesar de existir há centenas de anos — é considerada um problema de saúde pública. Para preveni-la, algumas medidas devem ser observadas com atenção:

  • alinhamento das expectativas do trabalho. Muitos trabalhadores se sentem pressionados com metas inalcançáveis, por isso, é importante alinhar à realidade da entrega com condições de trabalho favoráveis e o volume de demandas;
  • programas de repressão à violência verbal, psicológica e ao assédio, tanto entre líderes e colaboradores, quando entre os colegas de trabalho;
  • promoção de um clima organizacional saudável;
  • controle da jornada dos trabalhadores para que não haja sobrecarga;
  • apoio psicológico para profissionais que lidam diretamente com situações de estresse, como atendentes de telemarketing e policiais, e com o sofrimento de terceiros, como assistentes sociais e profissionais da saúde.

LER e DORT

A Lesão por Esforço Repetitivo (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) são doenças ocupacionais muito vistas no mercado de trabalho. São causadas por movimentos repetitivos, pela má postura, sobrecarga de esforço físico e pressão psicológica.

Esses problemas afetam diretamente o rendimento do trabalhador já que atingem membros essenciais como mãos, braços, ombros e tendões. Dependendo da gravidade da doença, pode até provocar afastamento temporário ou definitivo.

Investir em equipamentos que proporcionem ergonomia correta, como descanso para os pés e apoio para os pulsos; adequar o mobiliário; incentivar as pausas e os exercícios laborais e a diminuição da pressão psicológica são boas medidas para evitar esse tipo de doença.

Dorsalgias

Essas são as famosas dores na coluna e hérnias de disco e são provocadas quando há esforço repetitivo ou brusco da coluna. A dor nas costas está entre as principais enfermidades que mais prejudicam os trabalhadores e, em 2017, foi a campeã no número de afastamentos por doença.

É muito comum em pessoas que atuam no transporte de cargas, que precisam levantar peso com frequência e em quem trabalha muitas horas sentado e com a postura incorreta. Outros fatores que também contribuem para o surgimento das dores nas costas são o sobrepeso, a obesidade e o sedentarismo. 

Por isso, além da ergonomia adequada, do fracionamento de produtos e dos treinamentos de capacitação para quem lida com carga e descarga, é necessário investir em programas que incentivem a educação alimentar e a prática de atividades físicas. As pausas também são muito importante para esticar a coluna e aliviar pressões.

Asma Ocupacional

As doenças respiratórias são comuns no trabalho e a asma está entre as principais. O que a torna uma enfermidade ocupacional é quando os trabalhadores inalam produtos tóxicos e partículas que provocam reação alérgica por período prolongado. Começa com tosse e falta de ar e pode causar até câncer no pulmão. 

Ambientes fechados, com mofo e em que há manuseio de algodão, couro, sílica, borracha e madeira são os mais propícios para surgir o problema, além de construções civis. Para evitar a asma ocupacional, o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) é essencial em profissionais que atuam em locais assim.

Desgaste ou perda visual 

O desgaste ou a perda da visão também são frequentes em profissionais que passam muitas horas na frente do computador; aqueles que lidam com insumos quentes, como o fogo, e que estão diariamente expostos à agentes químicos. 

A catarata é uma das enfermidades mais comuns encontradas em profissionais da siderurgia e metalurgia, pois os trabalhadores ficam submetidos às altas temperaturas. Para preservá-los, a empresa deve oferecer equipamentos próprios de proteção e proporcionar condições adequadas para que possam desenvolver o ofício.

Perda auditiva

Assim como a exposição à agentes que prejudicam a visão, o excesso de ruídos diariamente pode levar à perda parcial ou total da audição dos trabalhadores. É muito comum surgir em profissionais que atuam na construção civil, na operação de grandes maquinários, na mineração, em aeroportos, atividades ligadas à festas, entre outros.

Além disso, há produtos químicos em que o manuseio incorreto também provocam transtornos na audição. É essencial que essas pessoas utilizem protetor auditivo específico e máscaras protetoras, além de trabalharem em locais com isolamento de fontes de ruído.

As doenças ocupacionais podem surgir mesmo com a adoção de medidas de prevenção por parte das empresas, pois existem atividades diretamente ligadas a elas. Mas é possível evitá-las ou minimizar os impactos e a quantidade de ocorrências observando com mais atenção a saúde dos colaboradores, os recursos mais importantes de uma companhia.

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